Rodrigo Capita se emociona na última entrevista antes da despedida das quadras – LNF

Capita emocionado na última coletiva antes da aposentadoria — Foto: Lucka Cyríaco/Magnus Futsal

A aposentadoria de Rodrigo Capita ganhou um tom ainda mais emocionante na última entrevista coletiva do capitão como jogador do Sorocaba. Aos 42 anos, o camisa 14 se emocionou diversas vezes ao relembrar a infância, a trajetória até o alto rendimento e a relação com a família e a torcida.

 Eu tinha sonho de viver do esporte, com 20 anos eu estava num escritório de contabilidade, sonhando ainda. Apareceu a oportunidade, eu fui para Araçatuba. Eu tinha sonho de jogar na televisão, primeira transmissão minha, foi uma Copa TV TEM, eu estava muito feliz. Graças a Copa TV TEM, que eu joguei contra Santa Fé do Sul, perdemos o jogo, foi 2 a 1 e o time do Araçatuba acabou, ficamos sem receber, passamos alguns perrengues, mas foi muito importante aquilo pra mim, porque eu sabia que não iria voltar para casa, era dali para frente. O jogo acabou e eu estava chorando na trave, o senhor Valter, presidente do Santa Fé, me deu a mão e disse “vou te levar para Santa Fé”. Era uma potência, no estado de São Paulo, no interior, era um investimento muito alto, um ginásio onde cabia três mil pessoas. Eu fiquei lá dois anos e meio, os primeiros seis meses eu não joguei.

Autor de 981 gols e dono de 48 títulos na carreira, Capita encerra a trajetória nas quadras nesta sexta-feira, às 20h30, no jogo entre Sorocaba e Tubarão, pela LNF Cresol. Ao longo da carreira, o capitão conquistou os principais títulos da modalidade — incluindo Liga Nacional, Libertadores, Mundial de Clubes e a Copa do Mundo pela seleção brasileira.

— Lógico que passa (pela cabeça). Eu falei pro Felipe que achava que estava na hora de parar, expliquei para ele a situação, e ele “Não mano, faltam só 19”. Mas e se eu não fizer até dezembro? Ele disse “Começa um pouquinho do ano que vem”. Poucos fizeram mil, poucos chegaram perto dos mil. É só um número. Eu já fiz o que tinha que fazer, já valeu.

Foto: Lucka Cyríaco/Magnus Futsal

Na entrevista, ele relembrou a trajetória construída desde o interior paulista, com passagens por Araçatuba e Santa Fé do Sul, até chegar a Carlos Barbosa, onde venceu a Liga Nacional, e à seleção brasileira, pela qual disputou três Copas do Mundo e foi campeão mundial. No Sorocaba, ao lado de Falcão, conquistou a Liga logo no primeiro ano. Emocionado, resumiu o sentimento da despedida: “Fechou a conta, vai valer a pena”.