Agência Minas Gerais | Núcleo de Tecnologia Educacional aplica piloto de método inovador com uso de inteligência artificial em escola estadual

A Escola Estadual Santo Afonso, em Belo Horizonte, vinculada à Superintendência Regional de Ensino Metropolitana A, recebe a aplicação do projeto piloto do método Jemas: Jornadas Educativas no Mundo do Aluno, uma proposta inovadora de planejamento pedagógico que integra professores, especialistas e inteligências artificiais. A iniciativa é conduzida pelo Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) da Metropolitana A e, neste primeiro momento, conta com a participação de uma professora da unidade escolar.

O método foi criado pela servidora Gabriela Pinheiro, do NTE Metropolitana A, a partir de pesquisas desenvolvidas ao longo de anos nas áreas de pensamento complexo, transdisciplinaridade e design de experiências do usuário. A proposta parte da escuta ativa dos estudantes para orientar todo o planejamento das aulas.

“Tudo começa a partir das respostas dos alunos em um mapa de influências. Eles nos contam quem são, quais são seus desejos, sonhos, referências culturais e expectativas para o futuro. A partir dessas informações, reunimos humanos e inteligências artificiais durante uma semana para pensar em aulas que dialoguem com essas vivências e que serão experienciadas ao longo de todo o ano letivo”, explica Gabriela. 

Planejamento pedagógico

Durante a semana de atividades do piloto, membros do NTE e a professora participante experimentam diferentes inteligências artificiais educacionais, cada uma com uma função específica no processo de planejamento. A coordenadora do NTE Metropolitana A, Raquel Vidal, destaca que a metodologia assegura alinhamento pedagógico e curricular.

“Iniciamos com a IA Roteirista, levando as vivências dos alunos e as ideias discutidas coletivamente. Em seguida, utilizamos a IA Guardião do Currículo, que articula tudo o que foi construído com a BNCC, a BNCC Computação, o Currículo Referência de Minas Gerais e o livro didático. Depois, a IA de Vivências mapeia o entorno da escola para conectar os conteúdos à realidade dos estudantes, trazendo uma visão criativa”, afirma.

A professora Nívia Alcântara, de Língua Portuguesa do Ensino Médio, que em 2026 também atuará com Cultura Digital e Fundamentos de Inteligência Artificial, é a única docente da Escola Estadual Santo Afonso a participar do piloto neste momento. Para ela, a experiência representa uma oportunidade de inovação pedagógica.

“Participar das etapas de desenvolvimento do projeto foi uma oportunidade de trazer inovação e tecnologia para a sala de aula. Trabalhamos com estudantes nativos digitais, e a Jema permite construir o planejamento a partir da identidade do aluno, entendendo o que o influencia e o que o engaja. A inteligência artificial entra como uma ferramenta de apoio ao professor, agregando conhecimento ao que já fazemos em sala”, destaca. 

Foco no aluno

De acordo com Aline Guerra, integrante do NTE Metropolitana A, a proposta contribui para otimizar o trabalho do professor sem substituir o papel humano no processo educativo. “As inteligências artificiais foram treinadas para detalhar cada aula e apoiar o planejamento, o que reduz a carga de trabalho docente. Isso permite que o professor tenha mais tempo para se dedicar aos alunos e fortalece o protagonismo estudantil”, ressalta.

Ao final da semana de aplicação do piloto, a professora sai com o planejamento completo, aula por aula, além do kit Jemas, com ferramentas de apoio para o desenvolvimento das atividades ao longo de todo o ano letivo. A expectativa é que a experiência contribua para o aprimoramento de práticas pedagógicas na rede estadual.