Pacientes atendidos no Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), agora retiram medicamentos no próprio hospital, com mais segurança e menos deslocamentos. Implantada em março, a nova farmácia do Centro de Infusão (espaço para a administração assistida de terapias intravenosas) do ambulatório da unidade representa um avanço importante no cuidado oferecido.
Estruturado para centralizar a dispensação de medicamentos de alto custo, cujo tratamento pode chegar a R$300 mil, o serviço permite que quase 30 pacientes retirem suas medicações no local onde já realizam acompanhamento clínico, garantindo mais comodidade para as famílias e eficiência no tratamento.
Para a farmacêutica responsável, Nayara Lage, a principal mudança está na integração do cuidado.
“A nova área foi pensada para que o paciente não precise mais se deslocar até a Farmácia de Minas para retirada ou renovação de medicamentos. Agora, todo o processo dos pacientes de mucopolissacaridose (doença rara e hereditária atendida no ambulatório) assistidos no Centro de Infusão acontece dentro do HIJPII”, explica.
A expectativa é que a iniciativa seja gradativamente ampliada para ouros tipos de medicação. Além do armazenamento de remédios de alto custo, a nova farmácia também traz mais agilidade a outros procedimentos realizados em pacientes do ambulatório, como outros tipos de infusão, troca de traqueostomia e endoscopia, por exemplo.
A iniciativa reduz etapas e facilita o acesso aos medicamentos – adquiridos por meio de políticas públicas do Ministério da Saúde, o que contribui diretamente para a adesão ao tratamento e para a continuidade da assistência.
“Com a centralização, conseguimos diminuir o risco de interrupções terapêuticas e oferecer mais comodidade para os pacientes e seus familiares, que já enfrentam uma rotina intensa de cuidados”, destaca a farmacêutica.
Rotina facilitada
A mudança também representa um alívio para famílias que dependem de medicamentos com exigências rigorosas de armazenamento. É o caso da enfermeira Maria Eugênia Cunha, mãe de Ana Beatriz, de 10 anos, paciente em tratamento de mucopolissacaridose no HIJPII desde um ano e oito meses.
Segundo ela, a rotina anterior exigia a retirada semanal do remédio na Farmácia de Minas e o transporte até o hospital. Maria explica que, por se tratar de um medicamento termolábil, qualquer variação de temperatura ou impacto durante o trajeto poderia comprometer a eficácia do tratamento. “Agora, além da comodidade de não precisar mais buscar as enzimas, com o acondicionamento direto no hospital, teremos um enorme ganho”.
A farmácia conta com câmaras refrigeradas e monitoramento contínuo de temperatura. “Esse controle é fundamental para preservar a estabilidade dos fármacos e evitar qualquer tipo de degradação. Também contamos com gerador de energia e plano de contingência para situações emergenciais”, completa Nayara.
Monitoramento dos pacientes
Por meio do serviço, todo o acompanhamento passa a ser feito pela equipe do próprio hospital, garantindo maior controle clínico e integração entre os profissionais envolvidos. “O vínculo da equipe assistencial se fortalece e a qualidade do acompanhamento melhora”, afirma a farmacêutica.
De acordo com a enfermeira do ambulatório, Gabriela Lobato, a administração de medicamentos de alta complexidade exige um atendimento especializado, porque envolve riscos maiores e decisões clínicas específicas.
“Estamos falando de tratamentos que exigem precisão, conhecimento técnico e monitoramento contínuo. Além disso, o cuidado direcionado também traz mais humanização e confiança, oferecendo mais tranquilidade para o usuário e suas famílias”, ressalta Gabriela.
A gestão dos medicamentos também segue protocolos rigorosos. “Trabalhamos com inventários periódicos e rastreabilidade por lote e validade, além de um controle detalhado do consumo por paciente, o que evita perdas e garante o uso adequado dos insumos”, explica Nayara.
Impacto no trabalho da equipe
Além dos benefícios para os pacientes, a proximidade entre a farmácia e o Centro de Infusão transformou a rotina de trabalho. “Uma das principais melhorias foi a diminuição da distância para acesso aos insumos, o que reduz a necessidade de saída dos profissionais do setor e amplia o tempo dedicado diretamente ao paciente”, finaliza Gabriela.
