Propositivo, reativo ou inativo? Como joga seu time?

Propositivo, reativo ou inativo? Como joga seu time?

Junho 17, 2021 0 Por Reis. Hugo

Assistir a um jogo de futebol é um ótimo entretenimento repleto de ação, emoção e disputa. Mas se você também quiser uma pitada de humor, estique para os programas de TV após as partidas. É divertidíssimo ver o bate-bola, linha de passe ou mesa redonda, onde diversos jornalistas, comentaristas, narradores, ex-jogadores e ex-árbitros se reúnem para analisar o que de melhor teve na rodada.

Esse gênero televisivo é, em geral, uma repetição do óbvio: o resultado do jogo. O ganhador ganhou, o perdedor perdeu e os empatadores empataram. A atração dá sorte quando algo incomum acontece: frango do goleiro, gol mal anulado, queda de energia, cachorro em campo, etc. Aí há pano para manga suficiente para pelo menos dois blocos de programa. Mas na maior parte do tempo, um jogo é só um jogo. E então os “especialistas” são forçados a discutir os “aspectos táticos”.

Um dos debates preferidos da atualidade é o comportamento do time, que pode ser, basicamente, propositivo ou reativo. Uma equipe propositiva é, como o nome diz, aquela que propõe o jogo. Já a reativa (novamente, o termo é autoexplicativo) é aquela que reage ao estilo de jogo que o adversário impõe.

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Todo bom duelo permite variantes peculiares na forma de jogar, ainda que exista um procedimento predominante.  É a variação tática que cria as possibilidades quase infinitas do futebol. Mas realmente me foge à compreensão a ideia de um propor e o outro apenas reagir. Se fosse no boxe, um bate e o outro apanha, é isso? Ou no caso do vôlei, um time corta e outro tenta escapar da bolada?

Assistindo atentamente aos sábios de domingo à noite, percebi que a referência a times propositivos está intimamente ligada à qualidade de seus jogadores. O clube que tem que propor o jogo é, geralmente, o melhor, o mais rico ou o mais tradicional. O plantel de menor expressão, ou menos técnico, costuma ser o reativo. E tudo isso parece ser um mantra sagrado do jornalismo esportivo, não importa em qual canal você sintonize.

De repente, a luz se acendeu.

Lembrei dos tempos de escola, nas aulas de educação física, quando o professor separava os times para jogar futsal. Tinha o time A, com os melhores jogadores da classe; o time B, com os reservas imediatos; e a rebarba, onde entravam todos os outros estudantes que não tinham sido escolhidos por ninguém junto com um ou outro aluno esforçado, mas pouco habilidoso (eu).

As equipes A e B eram propositivas. Sempre tentavam atacar e fazer o gol, ocupando espaços, trocando passes rápido e executando jogadas ensaiadas.

A Rebarba (com R maiúsculo, sim!) era um time totalmente reativo. Sabíamos de nossas limitações e estávamos prontos a viver com elas. Nossa estratégia era simples: não deixar chutar, porque o  goleiro não pegava nem resfriado. E, se a bola aparecesse na sua frente, o jeito era dar um bico na direção do gol e torcer para que tudo desse certo.

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Quase sempre a Rebarba perdia. Mas, com seu jogo reativo, conseguia algumas vitórias, sempre de 1 x 0.

Voltando ao presente, dá para perceber que, como todo bom jargão futebolístico, os termos propositivo e reativo servem para descrever algo que sempre existiu – a diferença de posturas trazida pela distinção técnica. Só que agora com um nome mais bonito, que faz todo mundo parecer mais inteligente.

Porém, há um terceiro comportamento, frequentemente ignorado nos programas de futebol, mas amplamente praticado em gramados tupiniquins: o inativo.

Para alguns times, a desigualdade técnica em relação ao adversário é tão grande que até mesmo reagir pode ser um risco. Cada jogador a mais no campo de ataque é um atleta a menos no campo de defesa, e todas as cabeças (e par de pernas) contam.

Então, a estratégia é tentar fazer com que nada aconteça em 90 minutos, por mais que aqueles onze caras com uniforme diferente insistam. Feio? Com certeza. Antiesportivo? Provavelmente. Mas é indiscutível que dá até para fazer bonito no bate-bola, linha de passe ou mesa redonda do próximo domingo.